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panoramaNOTÍCIA2022-01-07 · 2 min de leitura
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Estudo do JDFSL mapeia escolhas tecnológicas e uso de contramedidas por ofensores de CSEM

Resumo executivo

Publicado no Journal of Digital Forensics, Security and Law, o estudo entrevistou 78 adultos previamente condenados por posse ou consumo de material de exploração sexual infantil (CSEM) nos EUA, mapeando quais tecnologias usaram para acessar o conteúdo, como migraram entre plataformas e em que medida adotaram contramedidas técnicas. Os achados têm aplicação direta para investigadores digitais que precisam priorizar vetores de coleta de evidência e entender o comportamento típico desse perfil de ofensor.

Pesquisadores recrutaram, por meio de registros públicos de ofensores sexuais nos Estados Unidos, uma amostra de 78 adultos já condenados por crimes relacionados a CSEM, e aplicaram um questionário anônimo sobre suas escolhas tecnológicas ao longo do tempo. O desenho da pesquisa — dando continuidade a um levantamento anterior sobre o mesmo tema — permite observar não só quais tecnologias os ofensores usaram, mas como migraram de uma para outra e por quê.

Entre os achados, redes peer-to-peer e navegadores web apareceram como as portas de entrada tecnológica mais comuns, com uso sustentado ao longo do tempo — sugerindo que, apesar da evolução de aplicativos de mensagem e redes sociais, esses dois vetores continuam sendo caminho de acesso relevante. Uma parcela significativa dos entrevistados relatou apenas visualizar o material sem nunca armazená-lo localmente, o que tem implicação direta para investigadores: a ausência de arquivos em disco não descarta consumo, exigindo atenção a artefatos de acesso (cache de navegador, histórico de streaming, logs de rede) em vez de depender só de busca por arquivos.

Um achado contraintuitivo é que os ofensores usaram mais contramedidas técnicas do que a população em geral, mas não adotaram criptografia em taxa mais alta — e, segundo os próprios entrevistados, essas contramedidas foram motivadas majoritariamente por redução de ansiedade e tensão psicológica, não por uma estratégia deliberada e sofisticada de evasão forense. Isso é relevante para peritos porque sugere que, na prática, esse perfil de ofensor tende a adotar medidas de proteção parciais e inconsistentes — o que abre uma superfície de coleta de evidência maior do que se presumiria a partir de um modelo de "adversário sofisticado".

Para a prática investigativa, o estudo reforça a necessidade de protocolos de busca e apreensão que não se limitem a procurar arquivos armazenados, mas cubram vestígios de visualização (cache, thumbnails, metadados de streaming), redes P2P historicamente associadas a esse tipo de tráfego, e múltiplas plataformas simultâneas — já que a maioria dos entrevistados relatou usar mais de uma tecnologia em paralelo. Também sinaliza que checklists de captura de artefatos que assumem alta sofisticação técnica do ofensor (criptografia pesada, discos ocultos) podem estar mal calibrados para o perfil real predominante nessa população.

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