Atola lança Boot Image, ambiente bootável gratuito para aquisição forense sem remover discos internos
A Atola Technology apresentou o Atola Boot Image, um ambiente forense inicializável (bootável) voltado a cenários em que retirar o disco do computador da cena é arriscado, demorado ou fisicamente inviável. A proposta é permitir que o perito colete uma imagem forense do disco interno mantendo-o instalado na própria máquina, reduzindo o risco de dano ao hardware e o tempo de resposta em campo.
O Atola Boot Image se insere numa categoria já conhecida em forense digital: ambientes de boot alternativo (semelhantes em espírito a distribuições como CAINE ou a soluções corporativas da própria Atola, como o Atola TaskForce/Insight) que sobem a partir de mídia externa — pendrive ou disco USB — sem tocar no sistema operacional instalado, permitindo o acesso somente-leitura ao disco de interesse. O diferencial anunciado aqui é o caso de uso específico: notebooks com armazenamento soldado à placa-mãe, discos NVMe M.2 protegidos por vedações de garantia, RAIDs de servidor difíceis de desmontar sem interromper serviço, ou situações em que a abertura do gabinete na cena poderia comprometer a cadeia de custódia ou danificar componentes. Nesses casos, historicamente o perito tinha duas opções pouco atraentes: correr o risco mecânico de remover a mídia para conectá-la a um write-blocker de hardware, ou fazer a aquisição via sistema operacional já instalado (com todos os riscos de alteração de metadados e de dependência de drivers/software da própria máquina suspeita).
Tecnicamente, o valor forense de uma ferramenta desse tipo depende de dois pontos que a nota de imprensa não detalha e que normalmente são o que diferencia uma solução de aquisição confiável de uma arriscada: primeiro, se o ambiente de boot impõe um bloqueio de escrita real (via kernel, driver ou política do próprio sistema) sobre o disco de origem, e não apenas uma boa prática operacional; segundo, se o processo gera e registra hashes (MD5/SHA-1/SHA-256) da imagem resultante de forma auditável, condição mínima para que a aquisição resista a contestação em juízo. Como o fetch da página original não pôde ser concluído (erro HTTP 403 do site), não é possível confirmar aqui detalhes como formatos de imagem suportados (E01, AFF4, dd/raw), compatibilidade com controladoras NVMe/SATA específicas ou o mecanismo exato de write-blocking — essa análise deve ser tratada como contextual, e não como confirmação dos detalhes técnicos do produto.
Na prática, esse tipo de lançamento importa para o fluxo de trabalho de laboratórios forenses e peritos de campo porque reduz uma fricção operacional recorrente: quantas aquisições são adiadas, feitas de forma subótima ou simplesmente não realizadas porque a remoção física da mídia era arriscada demais? Ferramentas gratuitas e bootáveis também baixam a barreira de entrada para peritos independentes e forças policiais com orçamento limitado, que nem sempre têm acesso a docks de write-blocking para cada padrão de conector (M.2, U.2, eMMC soldado). O ponto de atenção permanece na validação: antes de adotar qualquer ferramenta de aquisição em casos reais, é prática recomendada testá-la contra um disco de referência com hash conhecido e verificar se o ambiente realmente não escreve no meio de origem, idealmente com validação independente (ex.: NIST CFTT) antes de uso em produção pericial.